quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mudanças

As vezes na vida da gente
passa tanta gente,
gente que lembra a gente
que a gente é gente também.

Mas dessa gente,
tem gente
que deixa a gente
tão longe da gente mesmo
que é hora de mudar.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ode a imagem verdadeira

Eis aqui um trovador
que cantas por onde não haverá anseio..

Eis aqui um homem
Que por tanta esperança e por ti
voltas a sorrir

O futuro

Já não me via dentro de mim
Nem meus passos
nem os olhos concentrados
nada parecia o mesmo

Tu que me tirastes desse mundo
Ó dor, que perpetuasse por minha mudança

O vazio, o eterno
flor da vanguarda esperança

Já era o próprio expectador
das recordações vividas
ou até mesmo
daquilo que vieste a viver

O Heroi

E nos mares que navego
aos desafios que me entrego
sobrevivi

Por entre as luzes cintilantes
por entre os brados retumbantes
permaneci


De que adianta ser forte
se de nada trás a sorte
dos ventos tão distantes
a alegria de viver.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O homem e a esmeralda

E Era uma vez, um homem, não um rei, um príncipe, ou alguém importante, era um simples homem, que de si achava que nada valia. E o tempo também não era lá tão longínquo, era ontem, era hoje ou será amanha.
A história, ah a história, essa sim ! Essa sim, não era um conto de fadas, muito menos algo tão miraculoso que atraíria plateias, multidões. Era apenas uma história que poderia ser de qualquer um, ou com quaisquer personagens, então ora bolas, porque não um homem ?
O homem passou a vida miserável, a trás de algo pra se orgulhar, do berço pobre, se tornou culto, se tornou "Doutô", e de suas faculdades mentais, todos se orgulhavam. Era ele o gênio, o ímpio, o maioral.
Mas nada daquilo lhe trazia algo pra se orgulhar, a verdade era que muitas vezes o homem, não enxergava os homens, como homens, se é que me entende.
Então propôs que se encontrasse, algo que simbolizasse felicidade, contudo algo que não fossem palavras, nem esboços de fotografias ou pinturas, algo simples, mas significativo.
E muito se trouxe, elementos descobertos, e toda sua química, doença, cura, política. Tudo lhe era apresentado mas ali no auge de sua vida, nada levava-lhe ao cume. Descrente, triste, cansado principalmente da falta de sentido que tudo lhe trouxe, a falta de pequenos detalhes diante de tantas incógnitas, tudo isso mostrava-lhe não bem sucedido foste aquela vida, mas sim no fracasso que era eminente a teus olhos, ele não era um vencedor, era apenas amargurado, triste, sozinho.
Então retirou-se ao teu acalanto, isolou-se no canto mais só, onde nem o vento com seu assobiar atingia-o mais, e pôs-se a pensar, rever suas teorias, teus feitos e tuas glórias mundanas, tentando quem sabe unir tudo aquilo em um postulado da felicidade.
Anos passaram, seus cabelos já grisalhos e as marcas do tempo, refletiam a desistência do êxito em sua busca, em sua solidão. O homem apenas caminhava, já não pensava, já não vivia mais. Muito se falava na terra de onde vinha que de sábio, nada mais era que um velho, tomado pela loucura e uma tola obsessão.
Naquela que avistava sua ultima caminhada, o homem que já não era homem e sim velho avista uma criança, uma linda menina, de cabelos curtos e sedosos. Para, olha-a e naquele momento avista a felicidade, nas duas esmeraldas precisamente colocadas dentro do frágil rosto. De nada entende aquele sentimento, volta à seu leito, onde nada tirava aquela imagem da sua cabeça, as horas já passavam como locomotivas a todo vapor e deixavam-lhe pra trás ali deitado estático, inapto a decifrar o enigma da pequena esfinge.
Tua aflição aumentara uma vez que  com o sentimento em pratica, não sabia sua origem, e sua ligação com os pequeninos olhos da garotinha., então em momento de insight, recolhe suas coisas e volta à cidade.
Todos estavam espantados e curiosos para ver a grande descoberta, para se conhecer a ciência da felicidade.
Em meio a toda a multidão na praça principal, eis que surge o homem, o velho, o cientista, o gênio outra vez. Como em um passe de mágica descobre o véu de vidro vazio e grita: "Eis a felicidade."
Em meio a sapatos, tomates, vaias, insultos, a multidão dali se dispersou, e a confirmação de que o homem era agora o louco fazia de vez.
Sozinho o homem caminhou um pouco e sorriu, parou diante de teus pés novamente a garotinha, estendendo-lhe a mão pronunciara: "tolos os que buscam a felicidade, sendo que ela esteve sempre dentro de nós".
E caminhou agora não como homem, nem como gênio, nem como louco, mas como um garoto, dos tempos que recordara amar.   

Intorpecido

Parecia-me que todas as luzes do céu projetavam-se no teto do meu quarto.
Não sabia mais distinguir o momento, da sanidade.
E soa como a falta de som na tentativa de gritar.
Veio como se nada daquilo que fora um dia concreto do meu ser estivesse por ali mais.

A quem socorrer-me, pra onde correr ?

É a saudade de algo que nunca aconteceu.
São risos involuntários, em planícies sem anedotas.
É a frenesi do coração que acelera a cada batida.
Era o suor, era a gana era o medo.

E quem era eu ?

Era insano, me toma por dentro.
Era fulo, era amar.  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Acalanto ao pobre apaixonado

Ariosvaldo, era um homem feliz.
Casado com o trabalho, termo engomado, sapato lustrado. Acordava o galo por todos os dias, numa extrema rotina que aos olhos e ouvidos dos outros talvez levasse ao macio divã.
Ariosvaldo era um homem misterioso, cheio de manias, por exemplo costumava dormir todos os dias com o mesmo cobertor, e sempre na mesma posição, virado para a esquerda, de fronte à parede.
Sua vida não era uma grande aventura, muito menos uma grande emoção. Não tinha muitos amigos, não saia de casa, deitava cedo, enfim, a vida que quase ninguém desejava.
Eu já disse que Ariosvaldo era um certo candidato ao divã ? Sim, pois sim eu disse. Nem os pais, nem os amigos nem os vizinhos, viam-o. Alguns suspeitavam que ele andava morto faz tempo, outros que ficou louco, ou se internou, mas não, não é que o dito cujo de defunto ou de louco nada tinha.
Ari como era chamado pelos pais, morava no sétimo andar de um antigo prédio no centro de Horizonte Belo, bem perto de onde um dia se ouviu todos os Nascimentos, Borges, Guedes, Venturinis.
De sons sim, isso o rapinante entendia bem, também me recorda, do dia em que ele saiu de casa, levantou pegou as coisas e foi embora. Claro que por uma daquelas.
Ele nem se despediu, simplesmente foi embora, deixaste-me aqui com esse nó no estômago e com missão de contar alguém sobre o segredo de Ariosvaldo.
Seria segredo se ninguém o soubesse, mas qual seria a graça de não poder contar para ninguém. Pensei bem e resolvi escrever-lhe aqui caro amigo, simplesmente porque acho que alguém além de mim deveria saber disso, ainda mais agora que o Ari se foi e só fiquei.
Bem de ódio deve estar, de tanto falar, de tanto enrolar, tão chato fiquei. Muito que bem, o segredo de Valdo, é que aquele louco homem enamorou-se por uma daquelas, uma esmeralda, não a mulher e sim a pedra. E cada canto que se esgueirava, só pensava na beleza daquelas esferas verdes.
Tamanha loucura, que comprou uma maquina de escrever, e escreveu, por cada momento, tentou colocar dentro de cada palavra, um recado diferente à esmeralda. Milhares de palavras, milhares de letras, de rabiscos, tudo formava uma história perfeita. Talvez para todos menos para o pobre rapaz.
Para você que não sabia o segredo de Ariosvaldo consistia em não poder falar. Por mais que escrevesse, ele não poderia pronunciar à querida nem uma misera palavra.
A frustração foi tamanha que queimou todos os papeis, destruiu a maquina de escrever, chorou, gritou mesmo sem poder falar.

E se foi, apenas foi, deixando ali na esperança de que um dia aquelas lindas pedras, como olhos verdes da amada pudessem ler, um conjunto de rabiscos num papel maltrapilho deixado à merce.

" Pedra querida, que me trouxesse alegria de viver, tamanha era euforia, de pensar nos olhos teus a cada dia, que me esqueço de sofrer.

E se espero a entrada de vosmecê, por aquela porta, tão deslumbrante em meus braços, a dor é imensa por não poder te dizer o que meramente seria dizer, o quanto em meu peito a chama inflama.
Despeço-lhe no entanto com tristeza em meus olhos, que esses dizem a vós o quanto grato a ti serei."


E dizem por aí as más línguas, que Ariosvaldo, velho homem, que de velho não tinha nada, se tornou um bardo, a tentar fazer com que as palavras que não saiam de sua boca, tocassem os olhos dos pobres enamorados, podendo assim, vingar o seu pobre destino, mas a vingança de amar.