sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Janelas

É chegada a hora de perceber que a vida é muito mais do que uma bela história, por onde Lemos os caminhos. O momento é de protagonizar os próprios passos, lavar a poeira que ficou acumulada pelos móveis e dar um brilho a mais em tudo.
Nunca será fácil seguir em frente, pelo novo sobre o qual nada se sabe, mas deve-se tirar o isqueiro do bolso e fazer com que a chama que ali propaga ilumine aquilo que não se vê.
Se tudo fossem maravilhas estaríamos satisfeitos a todo momento, ainda assim olhamos pela janela a cada noite ou a cada manhã e esperamos enxergar algo a mais.
As pedras de Carlos sempre estarão por aí, mas ainda há pernas para pular, só basta a coragem de olhar-se e meramente encarar. Cada salto um novo dia, cada dia uma nova história e assim se vai.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A menina e o céu

E ela olhava todas as noites para o alto, esperando ao menos que poucos dos seus desejos viessem a tonam como corpos celestes que caem do céu.
Certo dia vislumbrou uma nova estrela, daquelas que não se nota todos os dias, nem mesmo ela, notou por todos os seus vinte e poucos anos. Dizia a moça que a estrela brilhava para ela, mas de onde se via a cena, não era possível dizer, se o brilho da estrela estava em seus olhos.
Cada dia um novo desejo, um anseio, mas a jovem insistia em subir à janela e esperar pela estrela, esperar pelo céu, como quem almeja a vida.
Dias, talvez meses e anos se passaram. A pequena, faria sempre uma interpretação diferente daquela imensidão escura de cada noite. Experimentou de todos os sentimentos, nos quais os mais difíceis se destacaram.
Até que uma noite, fria, escura, onde a chuva e as nuvens tampavam suas estrelas, ela enxergou novamente o céu, o seu céu, onde tudo parecia fazer de certo algum sentido. Todas as notas dos uivos de cada vento, ou cada suspiro de seus pedidos agora era atendido, por algo de outro mundo, um outro lugar onde talvez se encontrou. E enfim repousou, pois sabia que nem todo paraíso era de todos iguais.

domingo, 26 de outubro de 2014

Introspecção

Escrevo a um breve interlocutor
não aquele que não encontrei,
mas, só e somente só, aquele que lhe traz a esperança.

Curvas frias do meu corpo jogado sobre a cama
Feixe de luz que revela toda a nudez e transitoriedade da minha alma.

Joguei-me ao primeiro conjunto de notórias palavras que ali se encontravam no papel.

Teria sido o mundo uma grande verdade, o dia seguinte ?
Questionava-me a cada lampejo de memórias

Desejava apenas a duração de todas aquelas palavras,
conjuntas, conectas, condizentes.
Almejava o significado delas.

Se todo ser tem seu alento ao universo,
talvez naquele momento, encontrava o meu mundo.

Cintilante, certeiro, sereno.

Momento onde olhei através do reflexo de tela pequena,
aquilo que parecia ser eu outra vez.

E que nenhum devaneio justifique a aura,
onda de prazer perspicaz,
que fora me levantar.

domingo, 14 de setembro de 2014

A Busca

De todos os locais o mais improvável,
de todos os segundos os mais insaciáveis.

Desde a escuridão, ao tato,
tudo lhe soava incompreensível

Se a todos os porquês, nenhuma resposta era dada
A cada madrugada um pensamento novo.

O improvável tomava forma
a cada falta que tudo que não fora sentido antes lhe fizera no momento.

Entoava o canto,
olhava ao relógio,
O display daquela conversa parecia-lhe não mudar muito a cada picadela.

O perto parece-lhe tão distante,
que nem sussurros mais discretos seriam ouvidos.
Onde estaria aquilo que bateria em seu coração ?

E as palavras,
sinceras e honestas,
que apenas aumentavam a falta do que aquilo lhe fazia.

Nem tudo se acha
em uma busca ao dicionario,
ao pé da letra, você não está ali.

domingo, 20 de julho de 2014

A Solitária

E ele era apenas mais um cara deitado
com apenas seu mundo ao redor.
Alguns sonhos e a falta de outros,
quase nada o motivava mais
além da ideia de se forçar a seguir em frente.

Seus olhos vidravam ao nada
assim como a mente permutava a pensamentos incompreendidos,
mas a um instante, de longe, vinha um sino,
não aqueles de romaria, nem anunciava nada que lhe fosse esperado.

Agora tudo que lhe fixava eram aqueles olhos. 
Horas se perguntando de onde será que vinham,
ou talvez onde iriam lhe levar.
Talvez tudo aquilo fosse como uma onda,
onde iam e viam as emoções.

E não era obsessão, talvez fosse o desejo,
que o movia-o a vontade de entrelaçar os dedos naqueles dourados fios de cabelo.

O tempo passava mas as linhas da folha de papel
permaneciam ali, a horas.
Será que tudo aquilo lhe fora tirado,
o riso, o sorriso, a esperança.

Pensara ele que talvez todo momento passado
não passava de uma ilusão da madrugada,
um delírio envolvente.

Chamar, gritar por aquele nome,
não seria útil,
nada dito ali naquele momento,
seria ouvido tão distante,
nem mesmo pela sua consciência.

Tocar ao ar,
não materializaria,
nada sobre o que ele desejara encontrar

E voltara a cama só,
apenas ele e as memórias
apenas ele e a sua esperança
de apenas mais uma vez.          

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Renascimento

De tudo que foi dito, nada mais restado
todos os cacos do seu orgulho haviam ali despedaçados
A mancha de sangue recobria a tenacidade do chão frio

Onde antes ouvia-se vozes convictas
restava apenas o silêncio profundo

Já era tarde e ele levantara
Não reconhecia mais os passos recém dados
Da fantasia à ilusão

Não sabia se era apenas um sonho
ou tudo aquilo fora real.

Marcas, cicatrizes, dor..

Sua mente ressoava em uma potente transe
era ela, ela esteve ali de alguma forma.

A transcendência da tênue linha entre a vida e a morte o revelara
talvez o correto fosse seguir em frente,
Afinal alucinações não são reais.        

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Em meu próprio divã

Refletindo sobre a vida, eu me lembrei de um tempo, onde tudo podia dar certo, bastava acreditar.
Quando criança, eu só tinha um desejo: ser alguém importante. Modulei minha vida ao longo de anos através disso, fantasiei, vivi, errei.
Nos primeiros passos embalado pela euforia de minha família, resolvi que ser importante era ser um jogador de Futebol. e assim fiz, entrei em um time amador da minha cidade, levantei terra, arranquei grama, lancei bola, mas algo não havia mudado. Ser jogador de Futebol, não era ser importante.
Então, parei e pensei, quem sabe ser um "rockstar" não me tornaria importante, e reza minha lenda que estudei todos os meticulosos detalhes da música, me tornei um musicista, um multi-instrumentista, um cantor, até mesmo professor. Cantei, gritei, toquei, escrevi, mas ainda assim não me via como importante.
Num mundo globalizado, o fim da década de 90 início dos anos 2000, a tecnologia, a informação, o link entre as coisas começava a borbulhar através da Internet. Assim conhecendo vários lugares e culturas diferentes decidi ser poliglota. Estudei, li, falei, conversei, tentei, aprendi quatro línguas exóticas, podia sair do Brasil à Europa, sem ao menos sair de casa, conheci pessoas da América ao Japão. Como disse diversas vezes ao longo desse texto, ainda não foi suficiente. Eu não era importante.
Vasculhei, a cultura do  meu país, e vi nela uma figura que talvez estivesse um pouco acima às outras. O médico, a oh médico. Cuidei, estudei, tentei, aproximei das pessoas, ouvi seus problemas, refiz as ataduras. Estive em hospitais, até mesmo no mais importante Pronto Socorro de meu estado. E ser médico, não, não era, e não é ser o mais importante, essa é a grande verdade.
Precisava de um tempo, e nesse tempo pensei, que talvez ser o coadjuvante, estar nos bastidores seria ser importante. Decidi ser um pesquisador, aprendi, li, escutei, apresentei, defendi, fiz lâminas, colhi sangue, experimentei, tentei, mas não foi assim tão importante.
Nesse meio tempo, conheci uma pessoa, cuja a sedução me fez sentir importante, mas essa mesma sedução, ah deixa pra lá...
Voltemos as partes boas da vida, ou talvez as importantes, afinal eu ainda queria ser importante. Então viajei, experimentei, li, meditei, e voltei. Tentei ser importante, longe de casa, sozinho, sem regras, sem um caminho linear, mas de forma alguma fui tão importante.
Até que, opa, apareceu uma expressão de esperança nesse texto.
Sim, esperança, ela reacendeu uma vontade, uma ideia, SER IMPORTANTE.
E talvez depois de todo esse percurso eu tenha aprendido que ser importante é ser apenas EU. É juntar todas as peças que fui construindo, todo o conhecimento que fui adquirindo, e ser eu.
O importante hoje é aquele que cada dia eu vejo no espelho, e me diz: "vai em frente garoto, viva, que ainda assim estarei aqui. Ainda saberei quem é você, ou quem sou eu."
Seja importante para si mesmo essa é a lição que mais agradeço ter aprendido.