segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Cosmonauta

Tudo que esperávamos era que os sonhos flutuassem em torno de nós mesmos. Brincávamos de que as almas flutuariam aos céus, ou comprariam passagens de avião.
Palavras, já não eram suficientemente entendidas, ações incompreendidas.
Planejava voar.
Se você opta pelo orgulho, aprenda a lidar com a saudade. Eu continuo com os meus sonhos e seguirei em frente com eles, se voas ao meu lado, seguiremos juntos, o meu reerguer nunca envolverá derrubar alguém.
Em pousos forçados, ou mergulhos no ar, nada se trata de uma guerra fria, onde dois lados competem entre si.
Talvez a batalha a se travar era consigo mesmo, com seu próprio interior.
E o abrir os olhos de volta a vida ele viu que as coisas mudaram, não pelo universo ter mudado e sim por sua própria mudança.
A lua já não era a mesma, assim como as estrelas que um dia brilhavam a mais, não eram vistas. Mas ele sabe que deve seguir em frente, mesmo deixando uma carga para trás, sua tripulação para trás, voos mais altos requerem menos peso, e ele continua sozinho em busca aquilo que almejou a instantes antes que seus olhos fossem fechados, por algo mais forte.
Acorde, e deseje-se boa sorte. Novos ventos virão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Nosso silêncio

Nesse caminho, caminhei sozinho até o momento, escrevo, pois essa é a foma de colocar pra fora tudo que aqui fica guardado.
As dúvidas percorrem a qualquer ser humano e a pior delas é o silêncio. Tentei, falei, escrevi mas acima de tudo esperei, pois a gaiola quando é aberta, é a opção para o cativo passarinho desejar voar para longe, ficar, ou até mesmo voltar.
Tudo na vida que faz sentido nos leva a um pensamento, mesmo que duvidoso. E o toque dos meus lábios aos teus não foram em vão, sei que aí ficou a minha falta, mesmo que ela não tenha sio dita em voz alta. Ainda espero-te, com todo o coração de quem tem medo, mas que deseja mais uma vez que minha pele toque a sua.
Pessoas vem e vão, mas algumas ficam.   

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Janelas

É chegada a hora de perceber que a vida é muito mais do que uma bela história, por onde Lemos os caminhos. O momento é de protagonizar os próprios passos, lavar a poeira que ficou acumulada pelos móveis e dar um brilho a mais em tudo.
Nunca será fácil seguir em frente, pelo novo sobre o qual nada se sabe, mas deve-se tirar o isqueiro do bolso e fazer com que a chama que ali propaga ilumine aquilo que não se vê.
Se tudo fossem maravilhas estaríamos satisfeitos a todo momento, ainda assim olhamos pela janela a cada noite ou a cada manhã e esperamos enxergar algo a mais.
As pedras de Carlos sempre estarão por aí, mas ainda há pernas para pular, só basta a coragem de olhar-se e meramente encarar. Cada salto um novo dia, cada dia uma nova história e assim se vai.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A menina e o céu

E ela olhava todas as noites para o alto, esperando ao menos que poucos dos seus desejos viessem a tonam como corpos celestes que caem do céu.
Certo dia vislumbrou uma nova estrela, daquelas que não se nota todos os dias, nem mesmo ela, notou por todos os seus vinte e poucos anos. Dizia a moça que a estrela brilhava para ela, mas de onde se via a cena, não era possível dizer, se o brilho da estrela estava em seus olhos.
Cada dia um novo desejo, um anseio, mas a jovem insistia em subir à janela e esperar pela estrela, esperar pelo céu, como quem almeja a vida.
Dias, talvez meses e anos se passaram. A pequena, faria sempre uma interpretação diferente daquela imensidão escura de cada noite. Experimentou de todos os sentimentos, nos quais os mais difíceis se destacaram.
Até que uma noite, fria, escura, onde a chuva e as nuvens tampavam suas estrelas, ela enxergou novamente o céu, o seu céu, onde tudo parecia fazer de certo algum sentido. Todas as notas dos uivos de cada vento, ou cada suspiro de seus pedidos agora era atendido, por algo de outro mundo, um outro lugar onde talvez se encontrou. E enfim repousou, pois sabia que nem todo paraíso era de todos iguais.

domingo, 26 de outubro de 2014

Introspecção

Escrevo a um breve interlocutor
não aquele que não encontrei,
mas, só e somente só, aquele que lhe traz a esperança.

Curvas frias do meu corpo jogado sobre a cama
Feixe de luz que revela toda a nudez e transitoriedade da minha alma.

Joguei-me ao primeiro conjunto de notórias palavras que ali se encontravam no papel.

Teria sido o mundo uma grande verdade, o dia seguinte ?
Questionava-me a cada lampejo de memórias

Desejava apenas a duração de todas aquelas palavras,
conjuntas, conectas, condizentes.
Almejava o significado delas.

Se todo ser tem seu alento ao universo,
talvez naquele momento, encontrava o meu mundo.

Cintilante, certeiro, sereno.

Momento onde olhei através do reflexo de tela pequena,
aquilo que parecia ser eu outra vez.

E que nenhum devaneio justifique a aura,
onda de prazer perspicaz,
que fora me levantar.

domingo, 14 de setembro de 2014

A Busca

De todos os locais o mais improvável,
de todos os segundos os mais insaciáveis.

Desde a escuridão, ao tato,
tudo lhe soava incompreensível

Se a todos os porquês, nenhuma resposta era dada
A cada madrugada um pensamento novo.

O improvável tomava forma
a cada falta que tudo que não fora sentido antes lhe fizera no momento.

Entoava o canto,
olhava ao relógio,
O display daquela conversa parecia-lhe não mudar muito a cada picadela.

O perto parece-lhe tão distante,
que nem sussurros mais discretos seriam ouvidos.
Onde estaria aquilo que bateria em seu coração ?

E as palavras,
sinceras e honestas,
que apenas aumentavam a falta do que aquilo lhe fazia.

Nem tudo se acha
em uma busca ao dicionario,
ao pé da letra, você não está ali.

domingo, 20 de julho de 2014

A Solitária

E ele era apenas mais um cara deitado
com apenas seu mundo ao redor.
Alguns sonhos e a falta de outros,
quase nada o motivava mais
além da ideia de se forçar a seguir em frente.

Seus olhos vidravam ao nada
assim como a mente permutava a pensamentos incompreendidos,
mas a um instante, de longe, vinha um sino,
não aqueles de romaria, nem anunciava nada que lhe fosse esperado.

Agora tudo que lhe fixava eram aqueles olhos. 
Horas se perguntando de onde será que vinham,
ou talvez onde iriam lhe levar.
Talvez tudo aquilo fosse como uma onda,
onde iam e viam as emoções.

E não era obsessão, talvez fosse o desejo,
que o movia-o a vontade de entrelaçar os dedos naqueles dourados fios de cabelo.

O tempo passava mas as linhas da folha de papel
permaneciam ali, a horas.
Será que tudo aquilo lhe fora tirado,
o riso, o sorriso, a esperança.

Pensara ele que talvez todo momento passado
não passava de uma ilusão da madrugada,
um delírio envolvente.

Chamar, gritar por aquele nome,
não seria útil,
nada dito ali naquele momento,
seria ouvido tão distante,
nem mesmo pela sua consciência.

Tocar ao ar,
não materializaria,
nada sobre o que ele desejara encontrar

E voltara a cama só,
apenas ele e as memórias
apenas ele e a sua esperança
de apenas mais uma vez.