domingo, 20 de julho de 2014

A Solitária

E ele era apenas mais um cara deitado
com apenas seu mundo ao redor.
Alguns sonhos e a falta de outros,
quase nada o motivava mais
além da ideia de se forçar a seguir em frente.

Seus olhos vidravam ao nada
assim como a mente permutava a pensamentos incompreendidos,
mas a um instante, de longe, vinha um sino,
não aqueles de romaria, nem anunciava nada que lhe fosse esperado.

Agora tudo que lhe fixava eram aqueles olhos. 
Horas se perguntando de onde será que vinham,
ou talvez onde iriam lhe levar.
Talvez tudo aquilo fosse como uma onda,
onde iam e viam as emoções.

E não era obsessão, talvez fosse o desejo,
que o movia-o a vontade de entrelaçar os dedos naqueles dourados fios de cabelo.

O tempo passava mas as linhas da folha de papel
permaneciam ali, a horas.
Será que tudo aquilo lhe fora tirado,
o riso, o sorriso, a esperança.

Pensara ele que talvez todo momento passado
não passava de uma ilusão da madrugada,
um delírio envolvente.

Chamar, gritar por aquele nome,
não seria útil,
nada dito ali naquele momento,
seria ouvido tão distante,
nem mesmo pela sua consciência.

Tocar ao ar,
não materializaria,
nada sobre o que ele desejara encontrar

E voltara a cama só,
apenas ele e as memórias
apenas ele e a sua esperança
de apenas mais uma vez.          

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Renascimento

De tudo que foi dito, nada mais restado
todos os cacos do seu orgulho haviam ali despedaçados
A mancha de sangue recobria a tenacidade do chão frio

Onde antes ouvia-se vozes convictas
restava apenas o silêncio profundo

Já era tarde e ele levantara
Não reconhecia mais os passos recém dados
Da fantasia à ilusão

Não sabia se era apenas um sonho
ou tudo aquilo fora real.

Marcas, cicatrizes, dor..

Sua mente ressoava em uma potente transe
era ela, ela esteve ali de alguma forma.

A transcendência da tênue linha entre a vida e a morte o revelara
talvez o correto fosse seguir em frente,
Afinal alucinações não são reais.        

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Em meu próprio divã

Refletindo sobre a vida, eu me lembrei de um tempo, onde tudo podia dar certo, bastava acreditar.
Quando criança, eu só tinha um desejo: ser alguém importante. Modulei minha vida ao longo de anos através disso, fantasiei, vivi, errei.
Nos primeiros passos embalado pela euforia de minha família, resolvi que ser importante era ser um jogador de Futebol. e assim fiz, entrei em um time amador da minha cidade, levantei terra, arranquei grama, lancei bola, mas algo não havia mudado. Ser jogador de Futebol, não era ser importante.
Então, parei e pensei, quem sabe ser um "rockstar" não me tornaria importante, e reza minha lenda que estudei todos os meticulosos detalhes da música, me tornei um musicista, um multi-instrumentista, um cantor, até mesmo professor. Cantei, gritei, toquei, escrevi, mas ainda assim não me via como importante.
Num mundo globalizado, o fim da década de 90 início dos anos 2000, a tecnologia, a informação, o link entre as coisas começava a borbulhar através da Internet. Assim conhecendo vários lugares e culturas diferentes decidi ser poliglota. Estudei, li, falei, conversei, tentei, aprendi quatro línguas exóticas, podia sair do Brasil à Europa, sem ao menos sair de casa, conheci pessoas da América ao Japão. Como disse diversas vezes ao longo desse texto, ainda não foi suficiente. Eu não era importante.
Vasculhei, a cultura do  meu país, e vi nela uma figura que talvez estivesse um pouco acima às outras. O médico, a oh médico. Cuidei, estudei, tentei, aproximei das pessoas, ouvi seus problemas, refiz as ataduras. Estive em hospitais, até mesmo no mais importante Pronto Socorro de meu estado. E ser médico, não, não era, e não é ser o mais importante, essa é a grande verdade.
Precisava de um tempo, e nesse tempo pensei, que talvez ser o coadjuvante, estar nos bastidores seria ser importante. Decidi ser um pesquisador, aprendi, li, escutei, apresentei, defendi, fiz lâminas, colhi sangue, experimentei, tentei, mas não foi assim tão importante.
Nesse meio tempo, conheci uma pessoa, cuja a sedução me fez sentir importante, mas essa mesma sedução, ah deixa pra lá...
Voltemos as partes boas da vida, ou talvez as importantes, afinal eu ainda queria ser importante. Então viajei, experimentei, li, meditei, e voltei. Tentei ser importante, longe de casa, sozinho, sem regras, sem um caminho linear, mas de forma alguma fui tão importante.
Até que, opa, apareceu uma expressão de esperança nesse texto.
Sim, esperança, ela reacendeu uma vontade, uma ideia, SER IMPORTANTE.
E talvez depois de todo esse percurso eu tenha aprendido que ser importante é ser apenas EU. É juntar todas as peças que fui construindo, todo o conhecimento que fui adquirindo, e ser eu.
O importante hoje é aquele que cada dia eu vejo no espelho, e me diz: "vai em frente garoto, viva, que ainda assim estarei aqui. Ainda saberei quem é você, ou quem sou eu."
Seja importante para si mesmo essa é a lição que mais agradeço ter aprendido.       

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Espelho

Similaridades,
todos os meus defeitos,
os acertos
e anseios.

Cada olhar,
uma nova visão
mas o mesmo rosto.

Chorávamos o passado,
suspirávamos o futuro,
o meu reflexo e eu.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Silêncio

Já não se ouve o que ouvia antes,
De longe ainda avisto,
mas,
distante.

Perdi-me do som,
Quando o sol, tocava o mar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O cantor

Sentei sozinho, a beira de pensamentos, lá onde já quase não havia esperanças. Me tornava alheio, às vistas perenes.
Talvez fosse um forasteiro, ou quem sabe apenas não era daqui.
Solidão, é algo que vem, as vezes penso que fica, as vezes acho que não vai.
Até o dia em que o sol, nasceu do sul, e não do leste, nem oeste, muito menos do norte, por sorte do sul.

Que brilhe meu amigo, pois agora eu sei, não vivo sozinho, tenho a quem cantar. E não se vá, pois, cantar seria apenas cantar, perto da imensidão que és.

Volto aos jardins, com a certeza que não devo chorar, e sim ouvir, ouvir algum cantar.

Anseios

Se eu pudesse pedir,
pediria para o vento soprar,
bem lá perto de minhas memórias.

Se eu pudesse pisar,
que fosse de pés descalços,
na grama de um jardim

E se eu pudesse ter,
eu teria isso tudo,
que me traz a você.